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12 maio 2022

UT30BR renova seu valor no Exército


Por Paulo Roberto Bastos Jr.

Após uma série de estudos dentro do Programa Estratégico do Exército (Pgr EE) GUARANI, visando atender as demandas da nova doutrina de Infantaria Mecanizada que estava sendo criada, o Exército Brasileiro (EB) decidiu equipar alguns de suas viaturas blindadas de transporte de pessoal – média sobre rodas (VBTP-MSR) 6X6 Guarani com um sistema de armas remotamente controlado (SARC) dotado de um canhão de tiro rápido e calibre intermediário (30×173 mm) e a escolha recaiu em uma versão nacionalizada da israelense UT30, da Elbit Systems e já bastante consolidada no mercado, surgindo a versão UT30BR.

Montado no país, utilizando componentes nacionais e (principalmente) garantido todo o suporte logístico dentro de nosso território, este sistema de armas, juntamente com o SARC REMAX (este totalmente desenvolvido no Brasil), representou um enorme avanço a capacidade operacional da Força, além de um enorme desafio em termos logísticos, principalmente em capacitação de seus operadores e em sua manutenção, devido aos seus enormes avanços tecnológicos.

A previsão era de uma aquisição inicial de 214 desses sistemas (conforme publicado no Diário Oficial da União de 31 de dezembro de 2010), que seriam utilizados nas viaturas Guarani e proporcionariam o apoio as tropas mecanizadas. No entanto, devido a uma série de fatores, como readequação das prioridades da Força frente às dificuldades orçamentárias, este programa ainda não pode ser finalizado e somente 13 sistemas foram adquiridos.

O SARC UT30BR está equipado com um canhão automático 30×173 mm ATK Bushmaster MK44, uma metralhadora coaxial 7,62×51 mm e oito tubos lançadores de granada fumígena de 76 mm.

Devido a esta pequena quantidade e a diminuição da prioridade do EB a este sistema, houve um grande atraso no processo de integração deste sistema de armas com sua plataforma, bem como em uma criação da doutrina operacional para sua utilização, o que acabou gerando diversos problemas com a formação de operadores, manutenção destes sistemas e desatualização de alguns de seus equipamentos, que gerou uma baixa operacionalidade e especulações equivocadas (principalmente por parte de alguns integrantes da mídia que não acompanhavam o projeto), que este estava para ser cancelado. Todavia, mesmo com estas dificuldades, ele prosperou e se espera que finalmente seja implantado.

Os testes


Qualquer equipamento precisa de manutenção periódica, para se manter operacional, principalmente um sistema que se propõem a estar no “estado da arte”, e buscando manter ativos os sistemas em uso no EB, empresa ARES Aeroespacial e Defesa realizou, no período de um ano (entre março de 2021 e março deste ano) a manutenção, reparo e testes dinâmicos com os SARC UT30BR, com os números de série #04 e #12, como parte do esforço da empresa, com recursos próprios, para comprovar ao Exército Brasileiro que o sistema é seguro e confiável.

Após isso, a Diretoria de Fabricação (DF), realizou uma série de testes no Centro de Avaliação do Exército (CAEx), utilizando viaturas Guarani pertencentes ao 33º Batalhão de Infantaria Mecanizado (33º BI Mec), de Cascavel (PR), e com apoio do Arsenal de Guerra do Rio (AGR), Centro de Instrução de Blindados (CIBld) e das empresas ARES e IVECO Veículos de Defesa, para avaliar submeter o sistema o limite e verificar sua robustez.







Nestes testes foram simulados diversos cenários de operação e usou o critério de quantidade média de disparos entre falhas (“mean rounds between failure” – MRBF), com disparos em operações ofensivas de marcha de combate (de 50 a 60 km/h), movimento regressivo e estático, sendo monitorados os seguintes parâmetros:

  • Balanço energético do sistema;
  • Falhas na torre e armamento;
  • Movimentos involuntários;
  • Falhas de monitores durante disparo; e
  • Integração elétrica do sistema de Armas.

Teste de Tiro no CAEx

Sendo executados quase 1.200 tiros durante quatro dias, com a obtenção de MRBF muito melhor que o esperado, considerando o equipamento plenamente apto para estar em operação.

Com este resultado a ARES, ciente das novas necessidades e possibilidades do EB, aguarda para breve sua homologação e pretende negociar o fornecimento de cerca de mais 30 UT30BR, devidamente atualizadas tecnologicamente, e a atualização das em operação, garantindo a Força a mesma equivalência tecnológica dos mais modernos exércitos do planeta.

Ao final do testes, os dois sistemas Guarani UT30BR se mostraram totalmente operacionais. Missão cumprida.

Imagens: CAEx, ARES e sargento Evaldo Fialho (AGR)

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Nota do Defesa Brasil Notícias: Matéria reproduzida com autorização do autor.

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