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19 novembro 2022

VBC Cav – Comunalidade, o trunfo italiano


Por Paulo Roberto Bastos Jr.*

Documentos obtidos com exclusividade por Tecnologia & Defesa mostram que a produção da viatura Centauro II compartilha cerca de 28,5 % de componentes comuns com as viaturas blindadas de Transporte de Pessoal (VBTP) 6X6 Guarani, podendo classifica-las como membros de uma mesma família de blindados.

O mais importante projeto do Exército Brasileiro (EB) em andamento, a viatura blindada de combate de Cavalaria – média sobre rodas (VBC Cav – MSR), se encontra em sua faz final de definição, com três candidatos, o Centauro II, LAV 700 AG e ST1-BR, cada um com suas vantagens e desvantagens, sejam no campo operacional (que já foram amplamente detalhado por T&D), econômico e geopolítico, porém no logístico, um dos mais importantes para se levar em consideração em um programa desta monta, o veículo do Consórcio Iveco – OTO Melara é (CIO) é imbatível.

Com centenas de componentes em comum, indo de simples parafusos e porcas, até conexões complexas, sensores e monitores, que não só facilitam toda a cadeia logística de manutenção, diminui os custos de armazenamento e transporte para o EB, como também aumenta a demanda por estes componentes, incentivando a indústria nacional a produzi-los, aumentado ainda mais o índice de nacionalização destes sistemas de armas. Tanto é verdade que, recentemente, foi assinado um memorando de entendimentos entre o Grupo Leonardo e a AEL Sistemas para a nacionalização de diversos destes sistemas.

Outra vantagem ser considerada, como integrantes de uma família de blindados, está no fato de que, nas atuais negociações envolvendo o Centauro II na América Latina (também divulgado com exclusividade por T&D), abre grandes chances de vendas das viaturas Guarani no pacote, além dos serviços e componentes também virem das indústrias nacionais.

São indiscutíveis as importantes vantagens do Centauro II em relação a seus concorrentes, como o fato de ser a única viatura desenvolvida desde o início para atender a missão que o EB busca (e não ser uma VBTP adaptada) e possuir o eficiente canhão de 120 mm, mas também no fato que a viatura já conta com toda a infraestrutura para sua montagem e manutenção no país, na unidade fabril da IDV de Sete Lagoas (MG), e a com a grande experiência do CIO em transferência de tecnologia, demonstrada nas montagens das viaturas Centauro B1 na Espanha e no desenvolvimento do Tipo 16 MCV no Japão.

No dia de hoje, 18 de novembro, o Estado-Maior do Exército inicia a escolha do modelo que será o VBC Cav, com o anuncio oficial aguardado para o próximo dia 25, e o Centauro II, por conta das características comuns com o restante da família Guarani, tem todas as chances de ser o chamado de o GUARANI 8X8.

Maquete do Centauro II, já nas cores do EB, exposta na unidade fabril da IDV de Sete Lagoas (Foto: IDV)



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FONTE: Tecnologia & Defesa

*Sobre o Autor: Paulo Roberto Bastos Jr.
Engenheiro de automação e Pesquisador militar, especialista em blindados e forças motomecanizadas da América Latina e Caribe.

Nota do Defesa Brasil Notícias: Matéria reproduzida com autorização do autor.

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