19 agosto 2021

A nova estação de armas Ares traz capacidades sem precedentes para o Exército Brasileiro

A nova SARC de 4ª geração poderá armar o novo Iveco LMV 4x4 do Exército Brasileiro

Por Roberto Valadares Caiafa*

A Ares Aeroespacial e Defesa é uma empresa brasileira com mais de 50 anos de experiência em parcerias com as Forças Armadas brasileiras no desenvolvimento, produção, fornecimento e suporte logístico de produtos e tecnologias que incrementam suas capacidades operacionais.


Orientada para inovação, a empresa tem investido em qualificação e capacitação de seus colaboradores, acrescentando valor e produtividade à sua força de trabalho.

Localizado no Rio de Janeiro, o primeiro centro de excelência no desenvolvimento e fabricação de Estações de Armas e Torres de Artilharia no Brasil atua no desenvolvimento de novas tecnologias e soluções em conjunto com as Forças Armadas, Centros de Pesquisa e Universidades.

Desde 2010, a empresa é parte do grupo Elbit Systems de Israel, uma das líderes mundiais no fornecimento de sistemas de Defesa.

Essa associação com os israelenses garantiu não só o aumento da oferta de novas tecnologias para uso militar como vem contribuindo de maneira importante para o desenvolvimento da Base Industrial de Defesa e Segurança nacional.

Sistemas Terrestres



A Ares Aeroespacial e Defesa apresenta em seu portfólio de sistemas terrestres o REMAX, uma estação de armas remotamente controlada giro-estabilizada para metralhadoras 12,7 mm e 7,62 mm que foi desenvolvida a partir dos requisitos do Exército Brasileiro por meio de uma parceria da ARES com o CTEx (Centro Tecnológico do Exército).

O projeto, iniciado em 2006, focou no desenvolvimento da primeira estação de armas 100% nacional, uma realidade no Exército Brasileiro na atualidade com cerca de 250 exemplares entregues equipando diversas unidades da viatura blindada de transporte de pessoal média sobre rodas VBTP-MSR 6x6 Guarani.

Além de equipar a viatura média 6x6 o REMAX também deverá equipar às futuras viaturas de reconhecimento 4x4 IVECO LMV adquiridas pelo Exército Brasileiro dentro do Programa Estratégico Guarani.

Ao completar 15 anos, o projeto entrou em uma nova fase, e a ARES está atualmente trabalhando no desenvolvimento da nova geração da estação de armamento remotamente controlada.


A reportagem de Infodefensa teve acesso ao mockup funcional/protótipo do novo sistema, que traz capacidades inéditas no Exército Brasileiro como optrônicos de performance ampliada e giro eixo independente do giro do armamento, o que permite manter o retículo de tiro do sensor optrônico continuamente no alvo (auto-track lock) sem a necessidade de compensar o movimento do tubo da arma montada na estação, o que é uma grande vantagem em termos de performance balística e precisão nos disparos.

Um novo cofre destacável em chapas de alumínio cortadas com precisão vai aumentar em 100 cartuchos a munição disponível por ciclo de recarga, de 200 para 300 tiros de 12,7 mm e de 300 para 400 tiros de 7,62 mm, adiando a necessidade de recarregar a estação de armamento com munição em meio a um engajamento.

Outro importante upgrade, a estação de nova geração vai dispor de telas de operação e controles de tiro duplicados para atirador e comandante do veículo, com punho do comandante prevalecendo sobre o do atirador, capacidade hunter killer 360º e integração de sensores do tipo elaws.


O sensor E-Laws2 da Elbit Systems fornece proteção de 360º contra até quatro tipos de emissores laser comumente usados para guiamento de mísseis anticarro, foguetes e armas sem recuo de curto alcance, dentre outras ameaças.

O sistema de alerta de laser da Elbit Systems detecta, categoriza e localiza fontes de laser como telêmetros para medição da distância, designadores de alvos marcados, feixe bean-rider, iluminadores infravermelhos e sinais emitidos por equipamento de simulação para treinamento.

A ameaça é apresentada de forma gráfica e auditiva, e o operador pode comandar “virar” a nova estação de armas remotamente controlada na direção da emissão e realizar o fogo de saturação, mediante decisão do atirador/comandante do veículo, tornando essa nova SARC capaz de uma primitiva capacidade APS (Sistema de Proteção Ativa).

UT30BR



Empregando um canhão de calibre 30 mm, o sistema UT30BR foi projetado para atender a uma variada gama de requisitos, oferecendo desempenho superior nas diversas condições de combate.

Utilizando tecnologia de última geração, o sistema UT30BR é resultado da experiência de mais de 30 anos no desenvolvimento de sistemas de tiro, aquisição e rastreamento automático de alvos em plataformas giro-estabilizadas.

No Exército Brasileiro, durante os testes de experimentação doutrinária equipando viaturas Guarani 6x6, o sistema apresentou performances acima dos requisitos.

Os itens de conformidade na integração da UT30BR com o Guarani que necessitam de correções estão sendo trabalhados na atualidade pelo corpo de engenharia da empresa e deverão ser homologados brevemente.


A empresa também está desenvolvendo, em uma parceria quase sem custos para o Exército Brasileiro, o simulador da torre UT30BR, equipamento que permite treinar atirador e comandante da viatura nos procedimentos de emprego e táticas de combate de forma rápida e segura, com economia de meios e recursos e grande eficácia.

A reportagem de Infodefensa teve acesso ao protótipo quase completo, faltando ainda a montagem e integração da posição do instrutor.

Com a disponibilidade de um sistema UT30BR real na fábrica, foi possível verificar a funcionalidade e simplicidade de operação do armamento com o emprego de dois manetes (arma + sensores), tela touch screen colorida de alta resolução e simbologia/comandos de fácil compreensão, tanto para o comandante quanto atirador do veículo blindado Guarani.

Acredita-se que o simulador completo, para emprego em sala de aula, estará disponível para o Exército Brasileiro no 2º semestre de 2022.

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Fotos: Roberto Caiafa

*Sobre o Autor: Roberto Valadares Caiafa
Jornalista especializado em Defesa e Aviação e fotógrafo profissional. Correspondente do infodefensa.com no Brasil.


Nota do Defesa Brasil Notícias: Matéria reproduzida com autorização do autor.

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